Monday, 6 July 2009

Notícia enviada por Cláudia Trabuco, Universidade Nova de Lisboa - The Catcher in the Rye: direito de autor versus liberdade de expressão

O escritor americano J.D. Salinger interpôs uma providência cautelar no passado dia 1 de Junho no tribunal do distrito de Manhattan contra o autor e a editora de um livro divulgado como uma sequência do seu famoso romance "TheCatcher in the Rye", alegando que aquela obra infringe os seus direitos autorais. O autor do livro é John David (sendo, como se sabe, J.D, as iniciais do nome próprio de Salinger) Calífornia, tem 32 anos e é um americano de origem sueca. "60 Years Later: Coming Through the Rye" será publicado pela editora sueca Nicotext, através da sua filial Windupbird Publishing para o mercadode língua inglesa. De acordo com a descrição que tem vindo a ser feita pela imprensa, sãomuitas as associações entre as duas obras. O romance faz a narração de três dias na vida de C (como Caulfield, personagem principal de "The Catcher in the Rye"), que tem 76 anos e decide fugir de um asilo para se embrenhar nas ruas de Nova Iorque (recorde-se que o herói do best seller de Salinger fugia de um reformatório aos 16 anos). California dedica o livro a Salinger,utilizando uma expressão retirada de uma fala da personagem do livro desteúltimo: Ao mais doido dos mentirosos que jamais encontrou na vida. Salinger considera que as semelhanças entre as personagens das duas obras não são fortuitas. Alega também que a sequência não é nem uma paródia, nem um comentário nem uma crítica literária do original. Trata-se, pois, no seu entender de roubo intelectual puro e simples. Nas peças que integram o processo judicial em causa, Salinger é descrito como fortemente protector da sua propriedade intelectual, o que, aliás, pode ser confirmado por famosos processos anteriores por si interpostos, e diz-se que "ele não aprovaria o uso de sua propriedade intelectual pelo sréus."A Windupbird Publishing invoca em sua defesa o direito à liberdade de expressão, considerando que as palavras e a imaginação são património de todos. Citada pelo sítio francês de informação literária Actualité, a editora defende não ser possível a interdição da publicação do livro uma vezque está em causa liberdade de expressão e de criação literária.

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